Arquitetura e Urbanismo executa programa de extensão com projetos voltados para a comunidade

Diversos projetos de habitação popular pensados e desenvolvidos por acadêmicos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) ganharam mais espaço. Através do Programa de Sustentabilidade no Habitat Social, cinco demandas vindas da comunidade passam a ser trabalhadas diretamente por 13 bolsistas e quatro professores do curso. 
Até o final de 2018, as ações Diretrizes para o Loteamento Dunas Fundos, Regularização Fundiária de Interesse Social, Assistência Técnica à Habitação Social, Casa Pallet, Comunidade Quilombola e Comunidade Indígena – Tribo Kaingang serão desenvolvidas e entregues para a comunidade, informa a coordenadora do programa de extensão, professora Joseane Almeida. 
Da regularização fundiária do bairro Dunas nasceu a demanda específica para o terreno ainda não loteado denominado Dunas Fundos. As possibilidades de ocupação desse espaço vêm sendo estudadas pelos acadêmicos do sexto semestre da graduação, em uma iniciativa voltada para a sensibilização e o debate das questões da habitação social. “As melhores propostas criadas pelos alunos para a área serão sintetizadas pela extensão, que apresentará para a Prefeitura um projeto de diretriz de ocupação”, explica a docente.  
O desenvolvimento do projeto de ocupação para Tribo Kaingang é outra iniciativa que vem sendo trabalhada com urgência pelo grupo devido à proximidade do inverno. A tribo, por intermédio da UCPel, obteve da Prefeitura a doação um terreno localizado próximo à Cascata, mas que necessita receber infraestrutura completa, visto que a comunidade permanece morando em barracas feitas a partir de lonas. 
Conforme Joseane, foram realizados alguns encontros com os índios para identificar as necessidades das moradias. “Vamos executar primeiramente um projeto de ocupação para toda a área e moradias para as 16 famílias residentes no local”, comenta. De acordo com a professora, a tribo solicitou que no projeto conste uma área destinada para o cultivo, um lugar para a criação de cemitério e residências com saneamento e luz. Com a finalização da proposta de organização do espaço, o grupo passará a buscar recursos junto a instituições para tirá-la do papel. 
Para o segundo semestre deste ano, acadêmicos e professores da Católica deverão atuar junto à Prefeitura em um novo projeto voltado para a assistência técnica de residências consideradas insalubres. Ainda em fase de definição pelo Poder Público, a iniciativa visa ofertar assessoramento de um arquiteto e material de construção para qualificação de moradias. “O Programa de Assistência Técnica é uma legislação existente desde 2008. Diz que a prefeitura pode utilizar as universidades para a oferta de assessoria técnica pontual. Os materiais utilizados para a qualificação dessas casas serão oriundos de doações da comunidade para um banco” explica.     
Outras duas frentes do Programa de Sustentabilidade no Habitat Social seguem sendo a regularização fundiária e a Casa Pallet. “Estamos aguardando a Prefeitura definir qual o próximo bairro que deverá receber nossos acadêmicos para realizar a descrição de terrenos”, diz. O projeto voltado para uma comunidade quilombola já foi finalizado, com a entrega de planta e execução da obra de um prédio destinado à convivência de crianças. 
Sensibilização para a problemática da moradia
Os projetos de extensão do curso de Arquitetura e Urbanismo nasceram das vivências dos acadêmicos com a comunidade, lembra Joseane. “Sempre precisamos do apoio dos moradores porque não se pode fazer um projeto de habitação social dentro do escritório. É preciso ir na localidade para ver que as pessoas podem ter desejos diferentes por viver em outra realidade”, diz. De acordo com a docente, após a realização das entrevistas, os participantes acabavam criando uma expectativa do que iria acontecer depois da visita. “O projeto de extensão nasceu da inquietude de não poder dar um retorno para a comunidade”, explica.    
Na avaliação da professora, ainda existe a imagem de que o arquiteto é um profissional caro e de elite, que trabalha apenas para quem tem dinheiro. “Existe outro mercado de trabalho voltado para a função social que é nosso e temos que assumir através de um trabalho realizado de outras formas”, comenta.
Em cursos de Arquitetura e Urbanismo na América Latina ainda não é comum a oferta de disciplinas voltadas para as problemáticas da habitação social. Na UCPel, todas as disciplinas ofertadas no sexto semestre do curso são trabalhadas de forma integrada com o objetivo de potencializar o resultado para um mesmo objetivo. “Dessa forma conseguimos contribuir com a comunidade, porque todos os trabalhos acadêmicos são feitos a partir de problemáticas reais”. Além da professora Joseane, integram o programa os professores Noé Mello, Ricardo Mendez e Stifany Knop. 

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